O que a palhada emite depois que a colheita passou
A palhada não tem nota fiscal, não aparece em sistema nenhum e mesmo assim emite. A Planton colocou essa fonte na conta no inventário da Agrex.

A Agrex do Brasil atua no recebimento, na armazenagem e na comercialização de grãos. A sede fica em Goiânia, e a operação se espalha por seis fazendas de produção agrícola, oito armazéns de grãos e unidades comerciais com e sem depósito de defensivos no Centro-Oeste, no Norte e no Nordeste. Somadas às unidades das empresas do grupo, são 48 no total.
Para o inventário de 2025, a Agrex contou com a Planton para quantificar suas emissões segundo o GHG Protocol e o Programa Brasileiro GHG Protocol, cobrindo Escopos 1, 2 e 3. A coleta de dados foi feita no Planton Genius.
Desafio
O primeiro desafio era de escala. As 48 unidades não fazem a mesma coisa. Uma fazenda registra área plantada, produção e manejo. Um armazém registra energia e movimentação de grãos. Uma unidade comercial com depósito de defensivos registra outro conjunto de dados. Cada uma tem responsável, sistema e rotina próprios, e uma planilha única enviada por e-mail não sustenta uma coleta desse tamanho dentro do prazo de um inventário.
O segundo desafio era de fronteira. Em uma operação agrícola, o que tem nota fiscal é fácil de encontrar: fertilizante, calcário, defensivo, diesel, energia. A palhada não tem. Ela é o que fica na lavoura depois que a colheita passou, não é comprada nem vendida, não aparece em nenhum sistema da empresa e, mesmo assim, emite óxido nitroso enquanto se decompõe. É por isso que costuma ficar de fora dos inventários agrícolas, e é justamente ela que fecha o ciclo entre o insumo que entra e o resíduo que permanece.
Como a Planton atuou
A coleta foi feita no Planton Genius. Cada unidade envia o arquivo no formato que já usa, e a plataforma lê, interpreta e estrutura o dado, sem exigir que a ponta aprenda um modelo novo. A cobrança deixou de ser uma troca de e-mails e passou a ser uma leitura direta de quem já respondeu e quem ainda falta.
Na frente agrícola, o cálculo cobriu a atividade de ponta a ponta, unidade por unidade e cultura por cultura: o fertilizante nitrogenado aplicado, a ureia, o calcário usado para corrigir a acidez do solo e a palhada que permanece no campo.
Solução da Planton
O projeto resultou em um inventário completo de Escopos 1, 2 e 3, com a atividade agrícola representada por inteiro em vez de reduzida ao consumo de combustível das máquinas.
As atividades agrícolas aparecem abertas por fonte e por cultura, com comparativo em relação ao ano anterior e com os dados organizados no formato exigido pelo Registro Público de Emissões.
A separação por fonte também é informação operacional, e não apenas contábil. Insumo aplicado, correção de solo e resíduo que permanece no campo têm caminhos de redução distintos, e agora aparecem separados no inventário.
A Agrex já havia inventariado 2024 com a Planton, e a cada ciclo a metodologia e o escopo se ampliam. Novas fontes entram na conta e as que já estavam passam a ser calculadas com mais precisão. O trabalho não mede apenas as emissões de um ano, constrói uma série em que cada inventário enxerga mais do que o anterior.
Mais do que calcular emissões, o projeto deu à Agrex a visão completa do ciclo agrícola, do insumo que entra na lavoura ao resíduo que fica nela, base para priorizar projetos de redução e estruturar a jornada de descarbonização.





