Planton

ECOSSISTEMA PLANTON

Soluções para gestão climática

Sistema integrado para medir, reduzir e governar emissões corporativas.

Planton

Escopo 3, os dados que dependem de terceiros

·1 min de leitura

Escopo 3 é onde está o maior volume de emissões e onde a coleta deixa de depender só da sua empresa. Quatro categorias viáveis na primeira rodada.

Pessoa em uma doca de carga segurando uma prancheta com um documento de transporte, com um caminhão sendo carregado e contêineres de resíduos ao fundo.

Escopo 3 são as emissões indiretas que acontecem fora do controle direto da empresa. Na maior parte dos setores é onde está o maior volume, e é também onde a coleta para de depender apenas de organização interna.

O GHG Protocol define quinze categorias de escopo 3. Tentar cobrir todas no primeiro inventário costuma travar o projeto. As quatro abaixo cobrem o que geralmente é material e viável em uma primeira rodada, e cada uma tem uma particularidade de coleta que vale conhecer antes de pedir.

Viagens a negócios

Trechos aéreos, hospedagem e deslocamentos terrestres a serviço.

O relatório do financeiro não substitui o itinerário. O gasto em reais não informa a distância percorrida: duas passagens de valor idêntico podem cobrir 400 quilômetros ou 4.000, dependendo de antecedência, classe e disponibilidade. O que o cálculo precisa é o trajeto.

  • Quem tem esse dado: A agência de viagens corporativa ou o extrato do cartão corporativo.
  • Formato que o cálculo aproveita: Origem, destino e classe de cada trecho, e noites de hotel por cidade.

Deslocamento casa-trabalho

Trajeto dos colaboradores entre a residência e o local de trabalho, com modal de transporte e distância aproximada.

O dado que ainda não existe: Não há sistema, fatura ou relatório de onde extraí-lo. Ele precisa ser gerado por uma pesquisa interna com os colaboradores, e isso costuma levar de duas a três semanas entre montar o questionário, divulgar, cobrar adesão e tratar as respostas.

É a categoria que mais atrasa cronograma quando entra na fila no final, porque o prazo dela não depende de esforço, depende de tempo de resposta das pessoas. Colocá-la no início da coleta resolve o problema.

  • Quem tem esse dado: Recursos humanos, por meio de pesquisa com os colaboradores.
  • Formato que o cálculo aproveita: Modal e distância por colaborador, ou por faixa de distância.

Resíduos sólidos da operação

Quantidade por tipo de resíduo e, principalmente, o destino de cada um.

O destino é a informação decisiva, e é a que mais falta. O fator de emissão muda completamente entre aterro e reciclagem: a mesma tonelada de resíduo pode gerar emissão relevante ou quase nenhuma, dependendo de onde ela terminou. Quantidade sem destinação não permite o cálculo.

A boa notícia é que esse rastro existe. Os Manifestos de Transporte de Resíduos registram tipo, quantidade e destino de cada saída, e são a fonte mais confiável para essa categoria.

  • Quem tem esse dado: SSMA, com apoio dos Manifestos de Transporte de Resíduos.
  • Formato que o cálculo aproveita: Toneladas por tipo e por destino, entre aterro, reciclagem, compostagem, incineração ou coprocessamento.

Transporte e distribuição

Fretes de entrada e de saída operados por transportadoras contratadas.

O dado depende de terceiros e nem todas as transportadoras o mantêm organizado. Muitas têm o valor do frete e a nota fiscal, mas não têm peso transportado e distância consolidados em relatório. Por isso o pedido deve ser feito cedo e por escrito, com o formato explícito, para que a transportadora tenha tempo de montar o que ainda não existe pronto.

  • Quem tem esse dado: Logística e suprimentos, com apoio das transportadoras.
  • Formato que o cálculo aproveita: Modal, distância e peso transportado, idealmente em tonelada-quilômetro.

E as demais categorias

Bens e serviços comprados é geralmente a maior categoria de escopo 3 em indústria e bens de consumo, e não aparece na lista acima de propósito.

Ela não é inviável, é de outra natureza. Exige triagem por gasto para identificar onde está a materialidade e um programa dedicado de engajamento de fornecedores, com mensuração e capacitação. É um projeto próprio, que ganha muito mais tração quando a empresa já tem o primeiro inventário fechado e sabe onde vale investir atenção.

Deixar essa categoria para um segundo momento não é lacuna metodológica. É sequência de trabalho.

O próximo passo

Escopo 3 é onde a gestão de emissões deixa de ser um exercício de contabilidade interna e passa a ser inteligência de cadeia. Saber quanto emite o frete que você contrata e o resíduo que você gera é o que permite negociar, priorizar e reduzir com critério.

Esta série cobriu a etapa de coleta seguindo a estrutura de escopos do GHG Protocol. Ela não substitui a definição metodológica de um inventário, que depende do setor, do limite organizacional adotado e do padrão de reporte escolhido pela empresa.

Estruture o inventário de emissões deste ano

Uma conversa de trinta minutos com nossa equipe costuma bastar para dimensionar escopo, prazo e a ordem em que a coleta deve acontecer.

Falar com a equipe