South Brasil mede a pegada de carbono de dois produtos
Vantagem ambiental que a operação já tinha não vira argumento comercial sozinha. A Planton mediu a pegada de dois produtos da South Brasil pela ISO 14067.

A South Brasil atua na extração e no beneficiamento de recursos minerais e é referência no mercado sul-americano. Entre seus clientes estão fundições e cimenteiras, indústrias que utilizam insumos carbonosos de origem fóssil em seus processos.
A empresa desenvolveu alternativas de menor pegada para esses insumos, aproveitando recursos que já estavam disponíveis na própria operação e que antes não eram utilizados. Para quantificar esse diferencial, a South Brasil contou com a Planton para calcular a pegada de carbono de dois desses produtos segundo a ISO 14067 e o GHG Protocol, sempre comparando cada solução ao cenário convencional que ela substitui. Os dados primários foram obtidos a partir da operação de 2025, e os estudos foram concluídos em julho de 2026.
Desafio
Os setores de fundição e cimento estão entre os primeiros a enfrentar uma pressão crescente por dados de emissões no Brasil. Os clientes da South Brasil já vinham sendo cobrados por suas matrizes e pelas cadeias globais a apresentar informações ambientais sobre os insumos adquiridos, uma vez que esses dados são incorporados aos seus inventários de Escopo 3.
Até então, a South Brasil tinha a descrição do processo como principal argumento para demonstrar o diferencial ambiental dos produtos. Faltava transformar esse diferencial em um dado mensurável, comparável e tecnicamente defensável.
O principal desafio estava justamente em quantificar os benefícios associados ao aproveitamento de recursos da própria operação. Fluxos que nascem dentro da planta, e que não foram comprados para aquele fim, têm características específicas e exigem um tratamento adequado dentro das normas de pegada de carbono.
Era necessário, portanto, identificar o critério aplicável a cada fluxo e estruturar a modelagem de forma que as escolhas fossem tecnicamente justificadas e pudessem ser sustentadas diante de clientes, auditorias e demais partes interessadas.
Como a Planton atuou
A Planton conduziu os dois estudos de pegada de carbono segundo a ISO 14067, utilizando 1 kg de produto como unidade funcional. Dessa forma, o produto da South Brasil e a alternativa convencional puderam ser avaliados sob a mesma base de comparação.
A modelagem foi realizada no openLCA, utilizando a base de dados ecoinvent e o método IPCC 2021.
O tratamento dos fluxos internos foi um dos pontos centrais do trabalho. Um recurso que sobra de um processo e passa a alimentar outro não entra na conta da mesma forma que uma matéria-prima comprada, e a norma prevê critérios distintos dependendo da natureza do fluxo. Para cada um deles, a Planton avaliou os critérios estabelecidos pela ISO 14067 e pelo GHG Protocol e aplicou o tratamento correspondente, deixando registradas no estudo as fontes normativas que fundamentaram cada decisão de modelagem.
Solução da Planton
Cada produto recebeu duas entregas complementares.
A primeira é o estudo técnico completo, que apresenta as fronteiras do sistema, os fluxos de entrada e saída, os fatores de emissão das matérias-primas, os critérios de corte, os resultados, as limitações e as justificativas para as escolhas de modelagem. Dessa forma, cada decisão fica documentada e pode ser consultada quando surgem questionamentos de clientes ou auditorias.
A segunda é uma página no Planton Estudos, desenvolvida para a comunicação externa. Ela reúne fotos do processo, o resultado da pegada de carbono em destaque, os principais benefícios ambientais do produto e um resumo da metodologia. É o material utilizado pela South Brasil para compartilhar os resultados com clientes de forma mais direta, sem a necessidade de apresentar o estudo técnico completo.
Resultado para o cliente
A South Brasil passou a contar com uma pegada de carbono individualizada para cada produto, calculada em conformidade com a ISO 14067.
Na prática, isso mudou a conversa comercial. Quando um comprador solicita informações ambientais sobre o insumo, a South Brasil deixou de responder apenas com a descrição do processo e passou a apresentar um dado quantitativo, comparável e tecnicamente fundamentado, que pode ser utilizado pelo próprio cliente como dado primário em seu inventário de emissões, em vez de recorrer a uma média de mercado.
Não é a primeira vez que a medição vira reconhecimento. Em 2025, a South Brasil venceu o Prêmio ECO da Amcham na categoria Processos, com um projeto de produto de menor pegada que teve um estudo de pegada de carbono como base técnica.
Mais do que calcular a pegada de carbono de dois produtos, o projeto transformou decisões operacionais em benefícios ambientais mensurados, comparáveis e capazes de gerar valor para o negócio.





