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Como medir o transporte quando nenhum caminhão é seu

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Nenhum caminhão é da Scala, e mesmo assim o transporte é a maior emissão do inventário. A Planton calculou cada fluxo pelo melhor dado disponível.

Nenhum caminhão é da Scala, e mesmo assim o transporte é a maior emissão do inventário. A Planton calculou cada fluxo pelo melhor dado disponível.

A Scala é um laticínio com sede em Sacramento (MG). A operação reúne quatro unidades industriais de lácteos e a SCL Agro, filial que processa grãos e farelos, além de fazenda, centro de distribuição e loja própria. Todo o transporte é terceirizado: a Scala não tem frota própria.

Para o inventário de 2025, a Scala contou com a Planton para quantificar suas emissões segundo o GHG Protocol e o Programa Brasileiro GHG Protocol, cobrindo Escopos 1, 2 e 3, com resultado aberto por unidade. Um dos focos do trabalho foi o transporte, na chegada da matéria-prima (upstream) e na saída do produto acabado (downstream), as categorias 4 e 9 do Escopo 3.

Desafio

Em um laticínio, o transporte não é uma rota, são várias. O leite é coletado todos os dias em propriedades rurais de dezenas de municípios. Creme e leite chegam de outros laticínios, alguns em outros estados. A SCL Agro recebe grãos e farelos de fornecedores de várias regiões do país. E o produto acabado sai de Sacramento em frota dedicada e em carga fracionada, para mais de uma centena de destinos.

Como nenhum desses caminhões é da Scala, a emissão cai no Escopo 3. É justamente por isso que o transporte costuma ser subestimado ou calculado por uma média genérica: a empresa não abastece o veículo e nem sempre sabe quanto ele rodou.

O desafio era que cada fluxo chegava com um tipo de dado diferente. Para alguns havia o consumo real de diesel das transportadoras. Para outros, só notas fiscais com origem, destino e peso. Em alguns casos faltava a cidade de origem, o peso da carga ou a divisão entre fornecedores. Aplicar um método único obrigaria a descartar o melhor dado disponível ou a inventar o que faltava.

Como a Planton atuou

Em vez de um método único, cada fluxo foi calculado pelo melhor dado que existia para ele, seguindo a hierarquia do GHG Protocol para transporte.

Por combustível. Onde havia o consumo real de diesel das transportadoras, a emissão saiu direto do combustível queimado. Foi o caso da coleta nos produtores rurais, de parte do creme e do leite comprados de outros laticínios e da distribuição do produto acabado das quatro unidades lácteas. É o método mais preciso, porque não depende de estimar distância, carga nem consumo médio de veículo.

Por distância e carga. Onde só havia origem, destino e peso, o cálculo foi feito em tonelada-quilômetro. Foi o caso do restante do creme e do leite comprados de outros laticínios, dos grãos e farelos recebidos pela SCL Agro e da distribuição da SCL Agro, calculada nota fiscal por nota fiscal, separando frota dedicada e carga fracionada.

Quando faltava dado, a lacuna foi preenchida com fonte pública ou com premissa declarada, nunca com um número sem origem.

  • Cidade de origem ausente. Laticínios informados só com o estado tiveram o município identificado no cadastro público do Serviço de Inspeção Federal (SIF), pelo registro do estabelecimento.
  • Carga em litros. O leite recebido em volume foi convertido em massa pela densidade.
  • Insumo com vários fornecedores e sem divisão. A massa foi rateada igualmente entre eles, com a premissa registrada para ser substituída quando a empresa enviar a divisão real.
  • Diesel sem unidade. O consumo das transportadoras de distribuição foi rateado entre as unidades por um critério de participação declarado na memória de cálculo.

O cruzamento entre as fontes também evitou dupla contagem. Fornecedores cujo transporte já estava no diesel das transportadoras foram retirados do cálculo por distância, assim como as transferências entre unidades da própria Scala.

Solução da Planton

O projeto resultou em uma memória de cálculo organizada por fluxo de transporte, e não por arquivo recebido. Cada fluxo traz o método adotado, a unidade a que pertence, os dados de origem e as premissas usadas para cobrir as lacunas. As exclusões por dupla contagem ficaram listadas uma a uma.

A distribuição da SCL Agro foi tratada rota a rota, a partir das notas fiscais do ano, com a distância de cada destino. As pendências ficaram registradas como pendências, com o dado que falta e quem deve enviá-lo, para que o próximo ciclo troque premissa por dado real sem refazer o trabalho.

Como cada fluxo identifica a unidade de origem ou de destino, o transporte entrou no resultado aberto por unidade, e não como uma linha única da empresa.

Resultado para o cliente

O transporte upstream se tornou a maior categoria de emissão do inventário da Scala. Somado ao downstream, responde pela maior parte das emissões da empresa, sem que a Scala tenha um único caminhão próprio.

A combinação de métodos também qualificou o número. Onde havia diesel real, o cálculo partiu dele. Nos demais fluxos, partiu da distância e da carga efetivas de cada viagem, e não de média de mercado. Cada premissa usada para cobrir lacuna está declarada, o que permite saber exatamente onde o dado pode melhorar.

E a abertura por unidade mostrou onde está o peso de cada fluxo. Isso dá à Scala base para conversar com transportadoras e fornecedores, avaliar rotas e origem de matéria-prima e acompanhar a intensidade de cada planta ano a ano.

Mais do que calcular emissões, o projeto transformou dados de logística espalhados entre transportadoras, notas fiscais e cadastros em uma leitura única do transporte da Scala, com método escolhido fluxo a fluxo e lacunas tratadas com transparência.