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O que chega junto com a sucata de alumínio também emite

·1 min de leitura

Por que a categoria de processos industriais não pode ficar vazia no inventário de quem recicla alumínio.

Quando o assunto é emissão de processo no alumínio, todo mundo olha para a eletrólise. Faz sentido para quem produz alumínio primário: a redução da alumina consome ânodos de carbono e libera CO₂. Uma recicladora não faz nada disso. Ela refunde metal que já existe. Por isso a categoria de processos industriais costuma ficar vazia no inventário de uma recicladora, como se a única emissão relevante fosse o gás queimado no forno.

Só que a sucata não chega limpa. A lata vem pintada e envernizada, a bisnaga vem com revestimento, a chapa e o perfil vêm com óleo de estampagem e usinagem. Antes da fusão, tudo isso passa pelo decoating, a etapa de descontaminação em que os contaminantes orgânicos são queimados. Esse carbono é de origem fóssil e sai como CO₂.

Foi essa emissão que a Alumini1 decidiu medir.

Quem é a Alumini1

A Alumini1 recicla alumínio em Itaquaquecetuba (SP), em uma planta inaugurada em 2024. A matéria-prima é sucata, boa parte vinda de cooperativas de reciclagem: latas prensadas, chaparia, perfis, bisnagas e cavaco.

Para o inventário de 2025, a empresa contou com a Planton para quantificar suas emissões de Escopos 1, 2 e 3 segundo o GHG Protocol e o Programa Brasileiro GHG Protocol. Um dos focos do trabalho foi a categoria de processos industriais do Escopo 1.

O desafio

Medir uma emissão que não passa por nenhum medidor. A Alumini1 compra sucata por tonelada, não por teor de tinta ou de óleo, e não controla o consumo segregado por tipo de sucata. Não existe nota fiscal nem conta de consumo para o que queima no decoating.

Como a Planton atuou

O primeiro passo foi mapear o processo produtivo inteiro e testar cada etapa como possível fonte de emissão de processo. Das cinco etapas avaliadas, só o decoating foi caracterizado como fonte emissora. As outras quatro ficaram de fora, cada uma com justificativa técnica registrada:

  • Sais de fluxação: cloreto de sódio, cloreto de potássio e criolita são termicamente estáveis nas condições do forno e não geram GEE.
  • Escória: é manuseada e armazenada sem contato com umidade, o que evita a formação de metano, e a destinação final é feita por terceiros.
  • Fusão: por ser refusão de alumínio secundário, não há eletrólise nem consumo de ânodo.
  • Atomização: é uma operação física, sem reação química.

Para o decoating, a massa de contaminante foi reconstruída a partir da própria sucata. Cada tipo de sucata comprado em 2025 recebeu um contaminante majoritário e um teor, ou foi classificado como sem contaminante relevante. Os teores seguiram os limites máximos de tolerância da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL): lata prensada entrou com 2,5% de polímeros, chaparia com 3% de óleos e perfil com 2% de óleos.

Com a massa de contaminantes definida, a emissão foi calculada pela queima desses materiais. O CO₂ e o N₂O resultantes foram lançados em processos industriais, no Escopo 1, porque a queima acontece dentro da planta, em equipamento da própria Alumini1.

O que a Alumini1 recebeu

Uma memória de cálculo que vai da sucata à emissão sem pular etapa. Uma aba traz os tipos de sucata com participação nas compras, massa, contaminante e teor adotado. Outra traz a queima, com a composição do material queimado e a emissão por gás. As etapas descartadas também ficaram documentadas, com o motivo técnico de cada exclusão. Cada número tem fonte e premissa declarada.

Resultado para o cliente

Os processos industriais deixaram de ser uma categoria vazia e passaram a responder por uma parcela relevante do inventário da Alumini1, com peso considerável dentro do Escopo 1. Deixar a categoria de fora teria subestimado o inventário inteiro.

A quebra por contaminante é informação operacional, não só contábil. Os polímeros, que vêm sobretudo da tinta e do verniz das latas, respondem pela maior parte da emissão do processo; o restante são óleos trazidos pela chaparia e pelos perfis. Isso liga a emissão a uma decisão de compra: o mix de sucata e a exigência de qualidade junto a cooperativas e fornecedores têm efeito mensurável em tCO₂e.

O inventário de uma recicladora não termina no forno. O que chega junto com a sucata também queima e também emite. Agora isso tem número, fonte e premissa declarada, a base para acompanhar a categoria ano a ano e priorizar ações de redução.

Quer saber o que pode estar faltando no seu inventário? Fale com o time da Planton.